Made in Pernambuco: Kirbjam e seu novo conceito de banda

O conceito de banda que todos conhecem é um grupo de pessoas fazendo música. Mas e se isso fosse modificado? E se uma banda fosse formada apenas por um integrante? É isto que a Kirbjam vende, aquele jeito “faça você mesmo”. O responsável por esse projeto é o guitarrista e compositor Arthur Andrade, que após anos tentando fazer várias bandas funcionarem, decidiu criar a sua própria individualidade.

Eu tocava em duas bandas, uma com minhas composições próprias e outra também autoral, mas só como guitarrista, com composições de um outro artista. Porém, deu tudo errado, a minha banda própria se dissolveu e acabei saindo da banda que eu era apenas o guitarrista. Eu estava insatisfeito com basicamente tudo em relação a mim mesmo, individualmente, e aos rumos estéticos e musicais que os dois projetos estavam tomando aí meio que acabei sozinho e foi um tempo bom para eu me reencontrar e por as idéias no lugar. Nesse período de solidão, isolamento e bastante reflexão veio a ideia de criar a Kirbjam.”

O que pode-se considerar mais engraçado disso tudo é a escolha peculiar do nome. É claro que todo nome de banda remete ao que esta quer passar e tem um significado especial. Kirbjam é unicamente especial. Arthur contou pra Revista Jambo que a ideia surgiu do boneco de pelúcia da irmã do personagem de videogame da Nintendo, o Kirby. Com isso, ele decidiu compor suas primeiras músicas e postá-las no instagram, onde o boneco usava óculos de aviador nos vídeos. A ideia era inovadora e de certo modo engraçada, no qual acabou dando o insight para uma parte do nome da banda.

Era coerente com a estética musical que estamos propondo, me soaria sarcástico pra driblar o momento solitário com bom humor e ainda cogitei a possibilidade de tocar sozinho num palco e só deixar o boneco. O “Jam” inserido depois remete ao termo de quando músicos se reúnem pra tirar um som e simplesmente tocarem juntos. Pensei também que lembraria o nome de outras bandas de rock do passado como Pearl jam, The jam, entre outras”

A singularidade é um grande destaque dessa banda e a inspiração na hora de compor não poderia destoar. Sentimentos, autopercepção, a relação humana com o mundo virtual juntamente com quadrinhos, filmes, livros e até conversas filosóficas de boteco formam o complexo de composições que o guitarrista se baseia. Arthur contou um pouco mais sobre todo o mundo da Kirbjam

Katarina: Por que a ideia de “faça você mesmo” foi tão atraente e qual o objetivo de mostrar isso para as pessoas?

Arthur:  Eu tinha passado quase dez anos formando várias bandas, entrando como guitarrista, sempre fazendo alguns shows, criando composições e no final nenhuma música era gravada. Ou então a coisa gravada e lançada nas pressas em meio a muitas brigas e feito na correria. Isso me frustrava. Achava inaceitável ter tido bandas por quase dez anos e não ter quase nada gravado, e o pouco que tinha foi feito muito na correria sem me representar. O que tornava isso tudo mais frustrante era o fato de as tecnologias de gravações atualmente estarem muito acessíveis, possibilitando qualquer pessoa gravar dentro do seu próprio quarto. Dessa vez eu queria criar músicas e dar vida a elas invertendo o processo, começar compondo as músicas e aprender o que precisasse. Tocar baixo, cantar, tocar sintetizador e gravar, para expressar o que eu queria da melhor forma possível e sem ter que ficar perdendo tempo brigando com ninguém ( risos). Meu objetivo creio que gire em torno de idéias. Sinto que tenho mensagens dentro das letras e da minha estética musical que podem servir pras pessoas e também proporcionar boas experiências. Acho que a coisa de proporcionar experiências nos sentidos e sentimentos das pessoas é o que move o projeto.

Katarina: Qual a mensagem que a banda quer passar ao público?

Arthur: Não diria que seria “a mensagem”, mas sim várias mensagens que se entrelaçam sobre nossa experiência e relação com nós mesmos e com as outras pessoas no mundo mediado pelas realidades virtuais. Tudo isso afeta nossa relação com nós mesmos e com as outras pessoas e a ideia é deixar isso transparecer no som e nas letras.

Katarina: Nesse primeiro single, o que você quer passar para o público? Como você quer que ele veja a banda na estreia?

Arthur: Quero passar a preocupação de fazer as pessoas que estam ouvindo embarcarem numa experiência sonora. Tenho preocupações com as mensagens das letras, mas, além disso, me preocupo demais com a experiência sonora de quem ouve. E também, abordar uma reflexão sobre a nossa percepção de nós mesmos e de como a gente se enxerga. 

Katarina: Como foi o processo de composição dessa música?

Arthur: Um dia me perguntei: “se eu fosse uma dessas bandas psicodélicas headliner de um festival tipo lollapallooza da vida, que tipo de música eu estaria compondo? Como eu iria soar?” Queria compor uma música que tivesse uma parte de guitarra muito marcante e pontual, que aparece em alguns momentos da música, e que tivesse um bom refrão com texturas que flertasse com elementos do rock psicodélico. Nunca me preocupei em compor bons refrões, mas nessa música eu quis me experimentar nessa arte e também na de criar um riff de guitarra que soassem como um refrão. Um dia estava tocando o riff de guitarra dessa música numa sala de uma escola de música e um amigo que estava na sala ao lado entrou e perguntou: “isso é teu?? Esse negócio tá realmente bom.” E foi isso. 

Katarina: Qual a importância de ter uma identidade tão singular?

Arthur:  Seria algo relacionado com uma aproximação de uma paz interior. Você carrega uma singularidade maravilhosa dentro de você com todos os seus defeitos e falhas.  Você tem coisas espetaculares guardadas em você que pode entregar para o mundo, pode transformar o que você detesta e acha feio em uma arte bela e sublime. Isso é realmente mágico. Talvez parta de você olhar pra dentro com o coração aberto. 

A Kirbjam é mais uma das novas banda com máximo potencial tentando se inserir no mundo musical pernambucano. Ele encontra dificuldades na hora de achar um lugar pra tocar e sente falta do apoio para artistas independentes como qualquer um, mas, sem dúvidas, ele sonha grande. Dois álbuns lançados e tocando por todo Brasil não é ruim. Quem sabe daqui a alguns anos todo pernambucano não conheça o som diferencial da Kirbjam? Nunca se sabe. 

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