A poesia de Luís Guilherme Libório no transparecer de uma alma que ama e sofre

Eu não sou quem vos escreve
nem mesmo quem vos lê  
Não sei o que serei
e ainda não sei quem eu sou

Trecho de Get Away

A primavera do ano de 1995 trouxe ao mundo uma alma pulsante. Luís Guilherme Libório, signo de sagitário, começou sua jornada na capital do estado de São Paulo, mas logo sua história procuraria suas raízes mais profundas. Ainda criança, no ano de 2002, Luís volta à cidade natal de sua avó, Venturosa, interior de Pernambuco, e ali mesmo ele fica. A volta, que em um primeiro momento tinha como objetivo reaproximar sua avó dos irmãos dela, também virou a chave na vida de Luís.

Ali mesmo, no município agrestino de pouco mais de 18 mil habitantes, o paulistano foi tomado pela essência nordestina forjada na cultura do povo. Na escola, aos 12 anos de idade, o jovem teve seu primeiro contato com a literatura de cordel em saraus poéticos promovidos por sua professora, Katiuscya Carvalho. Ela, exercendo seu ofício como educadora, deu o pontapé inicial para o surgimento de um artista. Luís também teve a oportunidade de ler clássicos de Clarice Lispector, Cecília Meireles, Roseana Murray e tantos outros artistas.

Na época, comecei a escrever poemas curtinhos, com rimas ainda e tudo mais. Na minha escrita, é possível notar muitas referências da escrita dela. Katiuscya tem uma veia incrível que me instiga bastante. Esse aprofundamento me encorajou. Ela também trazia poemas que escrevia e eu pensava “Ah, que bom que tem uma pessoa perto de mim que escreve”. 

Após seu primeiro encontro com a arte, o poeta foi segmentando sua forma de escrever. A poesia contemporânea se tornou sua paixão. Sua trajetória de vida também foi transformando seu processo de escrita. A rima e a métrica foram se tornando coisas secundárias e a inspiração tomou o lugar principal de suas obras. Servem como influência a música, a noite, o andar na rua. Uma conversa já é gancho para uma ideia.

Atualmente, o poeta reside entre as colinas agrestinas da cidade de Garanhuns. (Foto: Dinho Nunes)

Em 2016, no início de um novo ciclo, com a entrada no curso de Gastronomia, outra paixão de Luís, o artista publicou algumas de suas poesias em antologias. Veio daí a vontade de publicar algo só seu, um livro. No entanto, algo lhe parou. Um sentimento que permeava entre a autossabotagem e a intuição de não estar pronto impediu que a montagem fosse concretizada.

Eu tinha o conteúdo mas não se encaixava. Porém, nesse mesmo tempo, tive contato com a minha antiga professora e o marido dela, que estavam de férias no Brasil, e enquanto conversávamos, comentei sobre isso. O marido dela me disse que se eu deixasse para depois, eu nunca iria fazer. Isso que ele falou me deu um gás.”

Homem trabalhando nas ruas,  
paralelepípedos a parear
em frente ao pardieiro esquecido
onde um homem
lê seu livro pergamináceo
com capa de ita e rosto de curumim

Trecho do poema Rostos Desconhecidos em Corpos Familiares

Em 2019, Luís sentiu que era chegado o tempo e iniciou sua busca por editoras independentes. Ele encontrou então a Penalux, empresa do interior de São Paulo responsável por mais de 1.000 títulos. Cerca de seis meses depois, no mês de setembro, veio a resposta positiva para a publicação. Após todo o processo de concepção do seu livro, no mês de março de 2020, nasceu Pergamináceo. Extraído de seu poema Rostos Desconhecidos em Corpos Familiares, o título vem da palavra “Pergaminho” – substantivo masculino advindo da pele de caprino ou ovino, preparada com alume, própria para nela se escrever e também utilizada em encadernação. Mesmo com a pandemia, Luís recebeu o incentivo de seus amigos para publicar.

É um pedaço de mim que tá por aí, pelo mundo. Ele tá nas mãos de pessoas que eu conheço e de quem não conheço também. É interessante quando chega em alguém e eu recebo um feedback da pessoa dizendo que aquilo ali condiz com algo que ela passou. É algo que a gente sente muito com música, né? E já chegaram pra mim pra dizer que algum poema meu é a cara da pessoa. Isso é muito bacana. É uma conexão, um passe. Chega a ser indescritível.”

Com apresentação de Ricardo Santos e prefácio de José Ramos, Pergamináceo conta com cerca de 100 poemas, misturados entre experiências recentes e peças escritas em momentos antigos. Os dois tipos vão se costurando ao longo das páginas autorais. A intensidade do autor mais se rasgando em versos, com frases enérgicas e íntimas. Não é um livro autobiográfico, mas tem muito de Luís ali. Pergamináceo é o amor, a cura, a entrega de quem ama e de quem vive a vida amando. 

Pergamináceo, primeiro livro de Libório.

Hoje, o poeta paulista-pernambucano já escreveu mais de 300 poemas. Alguns desses vão entrar em um novo projeto de Luís. Uma espécie de extensão do seu primeiro livro. Serão feitas edições artesanais e distribuídas em uma quantidade limitada. Peças inéditas prometem traduzir a mistura feita por uma vida entre a cidade grande e o interior. Comentando entre as diferenças de fazer arte em locais distintos, Luís explicou que quando se vive em cidade pequena, existe uma maior liberdade para observar o mundo.

Aqui no Agreste, a gente tá um pouco mais liberto daquela correria de cidade grande. Acho que a gente tem um pouco mais de fôlego para olhar o nosso entorno. Isso deixa a gente mais tranquilo. Dá pra olhar para a natureza, para as conversas. Apesar de sermos de cidades pequenas, há uma diversidade cultural muito grande, que contribui bastante na hora de criar”

A paisagem do seu lugar de nascimento artístico: Venturosa – Pedra Furada. (Foto: Arcevo pessoal)

Para adquirir o Pergamináceo, você pode acessar o site da Editora Penalux.  E para saber mais sobre Luís o acompanhe no Instagram.

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