Ana Frango Elétrico fala sobre musicalidade e lançamento de livro

O brasileiro tende a ter as mais diversas ideias criativas, principalmente quando se fala em nomes. A carioca Ana Fainguelernt usou dessa raiz brasileira e deu uma solução engraçada e cativante para seu nome peculiar. Ela utilizou de um jogo de palavras para se transformar em Ana Frango Elétrico. Nascida e criada no Rio de Janeiro, em Santa Tereza, a senhorita Frango Elétrico acumula em seus 22 anos dois discos, o Mormaço Queima e o Little Eletric Chicken Heart, sendo o segundo reconhecido internacionalmente pela crítica.

Ana Frango Elétrico/Divulgação

Reconhecimentos à parte, essa artista da geração Z traz consigo uma infância de molecagem que gosta de compartilhar. Com amor por praças, Ana jogava muito futebol quando criança e tinha admiração por Adriano e Ronaldinho. Musicalmente, a praia dela era os Tribalistas e uma vibe Adriana Partimpim. Desde muito pequena foi inserida no mundo da música fazendo aulas de piano, guitarra e tudo mais que uma criança de 6/7 anos pode expressar sua criatividade. Criatividade essa que se desenvolveu e transformou Ana em uma multi artista do tipo que faz discos, pinturas e ilustrações, sendo este último o foco de seu mais novo projeto. Entre o primeiro e o segundo disco é nítida a mudança nas composições e no estilo, o que nos deixa ansiosos para saber o que esperar o que vem pela frente no Escoliose: Paralelismo Miúdo.

A seguir, acompanhe a curtinha que realizamos com a artista:

Jambo: Quando tu começou a se interessar por compor e tocar? 

Ana: Desde pequena faço músicas e aprendo coisas. Fazia aulas de piano com uma professora em Santa Tereza, a dona Raquel, alguns anos depois entrei na escola de música Villa Lobos e fiquei por dois anos lá. Esqueci muito do que aprendi, até dois anos atrás eu não sabia quais acordes eu tocava, apesar de já ter estudado. Eu sempre fui estimulada e gosto de música, mas nunca foi um desejo de profissão. Com meus 15/ 16 anos comecei a compor, a pintar e outros fazeres artísticos, de forma autoral. Com isso, começou a surgir esse desejo pela música. Com 18 anos comecei a gravar o Mormaço Queima, que lancei com os meus 20 anos e ano passado com 21, lancei o meu segundo disco chamado Little Electric Chicken Heart (LECH). 

Jambo: Lá no começo você já fazia umas artes, umas pinturas. Tem alguma diferença no processo criativo (da música para a arte) ou é tudo muito bem organizado? 

Ana: Tem um fundo poético em comum, que me dá imagens. Mas os processos são muito diferentes, principalmente hoje em dia, que eu já não sinto mais aquela coisa tão explosiva, na parte da criação. Coisa de juventude mesmo, sabe? Acho que é muito diferente compor aos 16 e compor aos 22, é pouco, mas é muito. Acho que eu consigo me desenvolver mais, criativamente, naquilo que eu estou me dedicando mais. 

Jambo: Quando virou a chave e você percebeu que tinha se tornado artista?

Ana: Eu fazia por necessidade de expressão. Sou obsessiva por fazer com as mãos, é muito importante pra mim, por uma questão de sanidade mesmo. E aí eu comecei a tocar e fui tocando cada vez mais.  Acho que eu me dei conta de que “tá, eu vou fazer isso” quando eu comecei a me desgastar energeticamente com algo que era só um hobby, então eu comecei a me organizar. “Se é isso mesmo que eu quero fazer e como eu vou fazer”.

Jambo: Se considera uma artista independente? Para você, Qual o papel da cena independente para a música? 

Ana: Eu sou sim uma artista independente, mas trabalho com muitas pessoas. Sou do selo RISCO, de SP, lançamos o LECH, e vamos lançar mais coisas. Eu acho que a cena independente é essencial né? No sentido de autonomia, de não depender mais de gravadoras. A cena independente é muito complexa e necessária para que se produza e que se aproveite o mecanismo de expressão e liberdade, para que se chegue em outros lugares e outras pessoas. 

Jambo: O que o público que te acompanha pela música, pode esperar do Escoliose? 

Ana:Podem esperar palavras com sons gostosos. Um lugar da palavra e da poesia de um jeito sonoro, mas também visual e cromático, bastante. Tem desenhos, gravuras… Eu não sei exatamente o que podem esperar, mas eu espero que esteja legal, acho que está um livro divertido de folhear, de mergulhar e de imaginar coisas. Sinestesia talvez é a palavra que define o que as pessoas podem esperar. 

Jambo: O que é esse tal paralelismo miúdo? Ele é novo, ou já vem desde sempre? 

Ana: O paralelismo miúdo me ajuda a dar voz para os detalhes, para coisas pequenas que são muito grandes. Acho que o Escoliose também é isso, esse lance dos lados da nossa coluna, que são só um pouquinho diferentes, desse outro lado da realidade paralela, que pode ser igual, mas também muito esquisito, muito diferente. Não é de agora. Já faz muito tempo que eu fico com ele na cabeça. Eu  já tentei fazer ele outras duas vezes, acrescentava e tirava coisas, até que a gente decidiu fazer um livro, mandar pra uma gráfica, e chamar o Daniel Rocha pra fazer o projeto gráfico. 

Jambo: Uma mensagem final?

Ana: Citando Maiakovski:

“A todas vocês, que eu amei e que eu amo, ícones guardados num coração-caverna […]”

A pré-venda do Escoliose: Paralelismo Miúdo já está disponível. São poemas, ilustrações e gravuras feitos entre 2015 e 2019, que agora ganham vida em livro, com projeto gráfico e capa de Daniel Rocha, produção de Modinhas, Baladas & Sonetos, e sai pela Garupa Edições. O livro conta com posfácio escrito por Heloisa Buarque.

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