Análise: O incrível universo do Studio Ghibli

Desde 1986 o Studio Ghibli encanta todos ao redor do mundo, passando pelo Oscar, alcançando uma popularidade que se estende até os dias atuais e, assim, indo parar na Netflix, uma das plataformas de streaming mais famosas e requisitadas no mudo todo. Acredito que não há quem não conheça o Studio Ghibli. Mas, se eu estiver enganada e se você não conhecer, essa é a leitura ideal.

O Studio Ghibli marcou a infância de muitas pessoas no mundo todo, e é uma das principais referências quando se trata de animações japonesas. E não são apenas os animes que se destacam nisso, pessoal. Com uma variedade de filmes, a maioria obras do genial diretor Hayao Miyzaki, a Ghibli nos leva a mundos maravilhosos e nos prendem nas estórias. Por essas razões, listei alguns filmes disponíveis na Netflix para que você possa conhecer ou rever. Confira abaixo a parte 1 dos filmes da Ghibli na plataforma streaming:

 O Castelo no Céu (1986)

Em “O Castelo no Céu”, vemos a história de Sheeta, uma garotinha que possui um pingente mágico que indica e ativa os poderes do Laputa, um castelo que flutua sobre o céu e que possui muitas riquezas e poderes. No decorrer do longa, Sheeta é sequestrada pelo vilão da história, o também herdeiro de Laputa, Muska. Durante um ataque de piratas liderados por Dola, que também tem interesse em Laputa por causa dos tesouros, ela consegue fugir dos sequestradores e é salva por Pazu, um garotinho também órfão que vai ajudar e proteger Sheeta. 

O trama é uma aventura, cheia de ação, amizade e proteção à Sheeta e ao Laputa. A fantasia também é presente a todo o momento, com elementos mágicos vindos do pingente, e com os moradores do Laputa, que são robôs de destruição em massa. Há também todo o visual do castelo flutuante, com animais místicos e uma estrutura primaveril e ao mesmo tempo moderna, quando se trata do núcleo que rege toda a estrutura de Laputa. Apesar de acontecimentos tristes, como o sequestro de Sheeta, “O Castelo no Céu” é um filme lindo, e que você sente o companheirismo e a amizade a todo o momento, com Sheeta e Pazu, até mesmo com os piratas. Vale a pena assistir e garanto que o telespectador irá se emocionar nessa incrível aventura à procura de Laputa!

O Serviço de Entregas da Kiki (1989)

Em “Os Serviços de Entrega da Kiki”, vemos uma história que considero quase similar ao que Meu Amigo Totoro oferece: uma história tranquila e com amizades. Kiki, uma bruxinha que ao completar 13 anos parte em uma jornada para ser independente, tem que aprender a se virar sozinha em uma cidade que nada conhece. Para conseguir sobreviver, ela faz entregas em troca de pagamento, e com isso consegue fazer várias amizades, o que é crucial para o treinamento, pois a boa convivência é um fator importante. O que acontece, é que Kiki tem problemas com perca de seus poderes, quando não consegue fazer amizade com Tombo, um menino que parecer ser muito interessado em ser seu amigo. Com isso, ela terá que aprender a ser mais amigável para que recupere seus poderes. 

O longa contém uma história diferente de muitos outros filmes, sem muita ação e apenas acompanhando a vida de Kiki longe de casa. Mostrando que a icônica frase “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”, a vida de Kiki como bruxa depende dela se virando sozinha para sobreviver aos 13 anos, e de como ela se portará diante das pessoas que cruzarem o seu caminho. É uma história sobre independência e amizade, e que agradará a quem gosta de um filme tranquilo, sem muitos acontecimentos.

Meu Amigo Totoro (1988)

Como nos longas citados acima, “Meu Amigo Totoro” nada mais é do que uma história que gira em torno da amizade. Contando a história das crianças Mei e Satsuki e do seu amigo Totoro, um espírito da floresta, que só pode ser visto apenas por elas, já que são crianças. 

“Meu amigo Totoro”, por se tratar de uma história mais infantil, não tem nada que outros filmes da Ghibli podem apresentar, como por exemplo, o que vemos “A Viagem de Chihiro” ou em “O Castelo no Céu”. É uma história mais leve, em que o principal assunto abordado no enredo é simplesmente a amizade. O longa, que tornou-se um fenômeno mundial e que o protagonista Totoro estampa a marca do Studio Ghibli, é um longa feliz e que com certeza, vai deixar todos com o coração cheio de amores por ele.

Memórias de Ontem (1991)

Em “Memórias de Ontem”, vemos a história de Taeko Okajima, que é uma mulher de vinte e sete anos que trabalha como funcionária de um escritório em Tóquio. Um dia, ela decide viajar ao interior do país, para a cidade de onde nasceu e cresceu, e durante esse tempo, ela faz uma viagem pela reflexão de suas memórias. 

“Memórias de Ontem” é um filme sensacional, e diferente de tudo o que vimos até o momento. Trazendo uma grande carga de sensibilidade, e até identificação com o que se passa com a personagem, o longa retrata de uma forma muito real a nostalgia da infância. Esse filme deveria ser obrigatório para todos, porque a história é realmente incrível, e como foi citado acima: é um pouco diferente das histórias da Ghibli. É um filme menos infantil, sendo mais direcionado à pessoas mais velhas.

A Viagem de Chihiro (2004)

Em “A Viagem de Chihiro”, conhecemos a história de uma menina que se mudava para outra cidade com seus pais, e no caminho, o pai decide pegar um atalho. Eles se deparam com uma mesa cheia de comida, e embora ninguém esteja por perto, Chihiro sente o perigo, enquanto seus pais começam a comer. Quando anoitece, por terem comido, os pais de Chihiro viram porcos, e para que voltem ao normal, Chihiro precisa salvá-los, passando pelo estranho mundo governado por Yubaba, onde há seres fantásticos e humanos não são bem- vindos. 

O longa, que na minha opinião é o que mais causa estranhamento, pelo que contém na história. Apesar disso, é maravilhoso. Cheio de acontecimentos a todo momento, o filme prende a atenção do telespectador com personagens como Raku e Yubaba, e com a expectativa de Chihiro escapar desse mundo e finalmente salvar seus pais. É uma história de heroísmo e coragem, que para uma criança, é algo bastante incomum. Simplesmente sensacional!

Eu Posso Ouvir o Oceano (1993)

Em “Eu Posso Ouvir o Oceano”, vemos a história de Taku e Yutaka, que vêem a sua amizade à prova com a chegada de uma garota chamada Rikaku. Com acontecimentos na adolescência dos personagens, eles se afastam, se reencontrando no futuro. 

“Eu Posso Ouvir o Oceano” é um filme que retrata a mudança no comportamento adolescente com grandes mudanças de vida e como algo pode influenciar relacionamentos, além de no final do longa, representar amadurecimento com sentimentos. Sendo um dos longas mais curtos dos Studios Ghibli, o filme prende o telespectador com através dos sentimentos que a personagem Rikaku pode causar tanto nos demais personagens, tanto nas pessoas que assistem. 

Princesa Mononoke (1997)

Em “Princesa Mononoke”, após enfrentar um deus javali enfurecido, o príncipe Ashitaka é amaldiçoado com um mal que pode matá-lo. Para encontrar a cura, ele decide viajar para longe e acaba se envolvendo numa batalha entre os deuses animais da floresta e os moradores de uma vila de mineiros, que aos poucos estão destruindo a floresta.

O filme é de 1997 e o tema nunca foi tão atual! Desmatamento de florestas, exploração de riquezas naturais, egoísmo humano e destruição desenfreada por vaidade, tudo em busca de poder. Poder esse que vai além, retratado por figuras místicas grandiosas, que também são usadas pelo grande monstro da ganância, e que mesmo em meio a todo caos, floresce! Provando que a humanidade ainda pode ser mais, com empatia!

Contos de Terramar (2006)

Em “Contos de Terramar”, acompanhamos a história de Ged, um feiticeiro, e de Arren, um príncipe atormentado pela escuridão e pelos seus erros. A dupla está a investigar o desiquilíbrio em Terramar. 

“Contos de Terramar” é marcada a estreia do filho do aclamado diretor Miyazaki, Goro Miyazaki, e mesmo que não seja um dos melhores filmes do estúdio, vale a pena ser assistido. Os cenários e a história lembram um jogo RPG e o uso de dragões e personagens cativantes perdem um pouco de seus brilhos, porque os arcos não foram bem desenvolvidos. Apesar disso, é um bom filme para o estúdio!

Porco Rosso: O Último Herói Romântico (1992)

Em “Porco Rosso: O Último Herói Romântico”, vemos a história de Marco Porcellino. Na Itália entre as duas guerras, caçadores de prémios ganham a vida a lutar contra os piratas do ar que aterrorizam o Mar Adriático. Um deles é Marco Porcellino, mais conhecido por Porco Rosso. Gina, cantora e proprietária do Hotel Adriano, situado numa pequena ilha, não desiste de tentar convencê-lo de que vale a pena procurar a humanidade, mas Porco resiste a falar do passado e detesta o único vestígio desses tempos: uma fotografia que mostra o seu rosto antes de assumir os agora característicos contornos porcinos.

Em “Porco Rosso: O Último Herói Romântico”, é possível ver que pelos acontecimentos do filme e pelo momento histórico em que ele se passa, é um filme destinado para o público mais velho, apesar de ser muito apreciado por telespectadores mais novos. Com suas intensas batalhas e críticas socio-políticas, o filme é indicado para todos os públicos, mas chamará bem mais a atenção de pessoas mais velhas, que poderão entender o que se passa com mais rapidez. É realmente um filme muito bom!

Näausica do Vale do Vento (1984) 

Em “Näausica do Vale do Vento”, vemos a história da Princesa Näausica, filha do rei do Vale do Vento, tem o estranho poder de conseguir sentir o que a floresta sente e se vê obrigada a sair em uma jornada para tentar evitar outra guerra devastadora. Uma guerra destruiu a civilização humana e grande parte do ecossistema da Terra. Apenas insetos e um ser conhecido como Ohmu sobrevivem nas terras devastadas.

Adaptado do mangá de Hayao Miyazaki, também diretor do filme, “Näausica do Vale do Vento” traz uma história que abordam debates sobre a natureza e abuso de poder, e também traz uma personagem feminina forte como protagonista. O filme é realmente maravilhoso!

Meus Vizinhos, Os Yamadas (1999)

Em “Meus Vizinhos, Os Yamadas”, é mostrado o  dia-a-dia da família japonesa Yamada, composta pelo pai Takashi, a mãe Matsuko, a sogra Shige, o filho Noboru, a filha Nonoko e o cachorro da família, Pochi. Dividido em pequenos quadros, como em tirinhas de jornal, cada um foca em determinada situação cotidiana da família.

O filme aborda temas familiares, em que muitas vezes os telespectadores podem se identificar com o cotidiano dos Yamadas.  Trata de problemas que vemos em nossos próprios lares, como a exigência dos pais para que o filho adolescente estude mais, a mãe que não quer ser tratada como uma empregada, o pai que chega cansado demais do trabalho e tem que acordar cedo para uma reunião de negócios, o adolescente passando por crises existenciais, os pensamentos inocentes da criança.

O Reino dos Gatos (2002)

Em “O Reino dos Gatos”, após salvar um gato de ser atropelado, Haru, uma menina preguiçosa e que sempre se atrasa para a escola, recebe a visita do Rei dos Gatos. Ele a convida para conhecer seu reino, onde os animais falam e comportam-se como seres humanos.

O filme é aventura! Considerado por muitos como um dos filmes mais fofos da Ghibli, “O Reino dos Gatos” prende o telespectador com a determinação de Haru de fugir do Reino, e como ela conseguirá fazer isso se transformando aos poucos em uma gata.

O Conto da Princesa Kaguya (2013)

Em “O Conto da Princesa Kaguya”, Kaguya era um minúsculo bebê quando foi encontrada dentro de um tronco de bambu brilhante. Passado o tempo, ela se transforma em uma bela jovem que passa a ser cobiçada por 5 nobres, dentre eles, o próprio Imperador. Mas nenhum deles é o que ela realmente quer. A moça envia seus pretendentes em tarefas aparentemente impossíveis para tentar evitar o casamento com um estranho que não ama.

Mas Kaguya terá que enfrentar seu destino e punição por suas escolhas.
O “Conto da Princesa Kaguya” ensina que riqueza não é felicidade! Apesar de 5 nobres estarem interessados na garota, Kaguya não quer nenhum deles. Isso mostra que, apesar da animação fofa com tons pastéis, a história vai além disso com uma pequena demonstração de como o capitalismo adoece as pessoas a ponto de acharem que o dinheiro pode resolver tudo. O filme é sensacional!

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