Uma resenha honesta de ‘Dark’

Eu vou contar um segredo. Sou o tipo de pessoa que deixa as séries no meio. Sim, me crucifique agora. Mas eu não consigo seguir a diante se a série não me conquistar nos primeiros episódios. Por isso, irei revelar outro segredo: eu teria parado de assistir Dark se não tivesse que escrever aqui sobre ela. Você deduziria que o motivo que me levaria a parar seria pela complexidade da série. Bom, você estaria um pouco certo, mas a principal razão seria por ela ter um ritmo mais ameno nos primeiros episódios. Antes de começar de fato, vale ressaltar que esta é uma espécie de resenha que contará com 100% da minha opinião e somente a minha opinião. Sem spoilers, claro. Com isso, fãs fanáticos, não fiquem irritados, já me desculpo de antemão.

Para poder explicar melhor irei fazer um resumo básico, para você que não tem Netflix ou simplesmente não sabe mesmo de qual série eu estou falando. Dark foi lançada em 2017 e consta de três temporadas sendo a terceira e última lançada em junho deste ano. É uma websérie alemã de drama, suspense e ficção cientifica criada por Baran bo Odar e Jantje Friese e distribuída pela Netflix. O enredo inicial se baseia no desaparecimento de uma criança na pequena cidade de Winden, na Alemanha, que vai se desenvolvendo em segredos e conexões ocultas entre as famílias locais, enquanto os mistérios sobre viagem no tempo e os efeitos dela atingem não só uma geração mais outras passadas também.

Seria um eufemismo falar que a série é complexa, não é à toa que ela ganhou fama por isso. Na primeira temporada, ao decorrer dos primeiros episódios nós vamos conhecendo cada personagem e o envolvimento entre eles e de certa forma isso se tornou meio maçante, mesmo com todo o mistério do desaparecimento inicial. Só a partir do quinto/sexto episódio a trama vai se tornando mais misteriosa e prendendo sua atenção de fato. Nesse meio tempo eu me vi perguntando milhares de vezes o que estava acontecendo e achando bizarro como tudo aquilo poderia estar conectado. As teorias envoltas de todos os desaparecimentos estão ligadas a essa tal caverna que fica no meio de uma floresta bizarra, mas que todas as crianças passeiam sem problema, o que me levou a pensar que isso nunca aconteceria se fosse no Brasil. De todo modo, essas teorias são embasadas na teoria geral da relatividade de Albert Einstein, que bem resumidamente diz que há um tubo cuja entrada está em um período do tempo e a saída está em outro, esse tubo seria a tal caverna que levaria para três tempos diferentes – 1953, 1986 e 2019 – todos separados por um período de 33 anos.

É óbvio que no decorrer da primeira temporada a tendência é criar várias teorias para explicar o porquê de todos os acontecimentos e dividir times, digamos assim. A minha mente começou a procurar vilões e mocinhos para pode separar os acontecimentos e nesse ponto a Claudia Tiedmann (versão velha – Lisa Kreuzer e versão jovem – Julika Jenkins) estava no time dos mocinhos e o desconhecido Noah (Mark Waschke) no dos vilões. Isso claro com o protagonista Jonas (Louis Hofmann) se mostrando uma peça fundamental no jogo, juntamente com os personagens Ulrich (Oliver Masucci) e Michael (Oliver Masucci). O fim desta temporada deixa a ideia de que haverá muitas consequências para se lidar e definitivamente quando se inicia a segunda temporada há mais dilemas do que antes e ainda mais personagens que se mostram peças fundamentais para os porquês, como o Adam (Dietrich Hollinderbäumer).

Foto: Reprodução/Netflix

O ponto de foco aqui é a brilhante capacidade dos produtores de manter a trama conectada. Não é incomum acontecer em séries desse gênero uma abertura de ramificações da história que ao decorrer dela não são fechadas. Contudo, Dark conseguiu um degradê muito sutil de respostas da primeira temporada, mas sem de fato perder o ar de mistério e intriga. Esse segundo ano, por ter bases bem definidas no primeira, pôde explorar com coesão os eventos e demonstrou uma incrível organização, mesmo que você não entenda de fato o porquê de todos os eventos. É claro que a confusão na história estava feita e a introdução de mais personagens fundamentais tornou tudo mais complexo, como Martha (Lisa Vicari) que, apesar de estar desde a primeira temporada, se mostrou muito mais presente e importante. Contudo, apesar de os fatos ficarem sem muito sentido a forma de transição de um tempo para outro ficou muito bem esclarecida e despertou ainda mais curiosidade, o que parece ser um clássico Dark que agrada bastante.  

Outro ponto que a partir desta temporada me agradou, foi que no final de cada episódio há uma espécie de passagens dos acontecimentos só com fundo musical, o que acabou chamando minha atenção para a trilha sonora. Enquanto na primeira temporada a quantidade de música de suspense era equivalente ao mistério, na segundo a variação da trilha me agradou de uma forma surpreendente, principalmente nesses trechos finais. Também, a introdução dos novos personagens me fez questionar toda a ideia de mocinhos e vilões que eu tinha criado na primeira temporada. A ideia de sem partido ficou bem nítido e não só porque eu não entendia completamente o que acontecia, mas, sim, porque a narrativa que se foi construindo não permitia isso. Essa narrativa, que ao ser percebida, me disse que Jonas e Martha seriam a principal causa de tudo aquilo acontecer foi questionada, novamente como a maioria das coisas na série, pelo final dessa temporada. Confesso que fiquei totalmente surtada com o último episodio e corri logo pra terceira temporada.

Neste último ano eu posso dizer que o desenrolar da série foi satisfatório. Além da introdução de mais períodos de tempo como 1888 e 2054, a aparição de Eva (Barbara Nüsse) e seus “funcionários” causa muitos questionamentos. Contudo, eles se tornam até fáceis de identificar o objetivo, comparando ao resto da série. Ficou claro a rixa de facções, digamos assim, da Eva e do Adam, no qual cada um tinha um motivo para que tudo o que aconteceu e iria acontecer deveria ser feito de determinado jeito, afinal tudo está interligado em um eterno ciclo maluco e sem fim. Eu gostei também da forma como personagens secundários, como Magnus (Moritz Jahn) e Franziska (Gina Stiebitz), que antes não tinham muita importância, foram ganhando funções, mesmo que pequenas, que interferiam diretamente nos acontecimentos. Um outro aspecto que eu notei foi a forma como eles apresentaram, esteticamente falando, a troca de tempos. Foi inovadora, é como se uma linha puxasse para o tempo desejado, o que pra mim foi bem colocado.

Eu creio que a maior angustia do fã da série quando anunciaram a terceira temporada foi poder entender o motivo de todo esse conflito e, de fato, se pôde resolver 95% dos mistérios. Os 5% restantes aparentemente não eram relevantes para a trama principal. Sendo honesta, o motivo real que levava a toda a desgraça foi meio simples demais pra mim. Eu achei que teria umas mil explicações quânticas para entender. Bom, tem quântica no meio, mas a série é repleta de incógnitas e mistérios que quando a verdadeira razão foi revelada eu achei um acontecimento tão coerente que se tornou simples. A última cena do episódio final me deu aquele ar de epílogo dos livros, mas, fazendo o clássico Dark, deixou um suspense e até, para aqueles bem fieis, uma esperança para uma quarta temporada. E aí eu questiono: será? Eu não ficaria surpresa, criatividade é que não falta.

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