Made in Pernambuco: as raízes olindeses da Banda Mascates

Uma banda em que o nome deriva de uma das famosas intrigas pernambucanas, a Guerra dos Mascates, do século XVIII, e que, assim como Olinda e Recife no final desta, é composta por irmãos. Beto Menezes no vocal e na guitarra, Rafael Menezes na segunda guitarra e no backing, Felipe Menezes no baixo e João Mesquita na bateria e backing, tornam a Mascates o que ela é hoje.

 A gênese de tudo se deu em 2010. Nessa época os irmãos gêmeos Rafael e Felipe tinham uma banda intitulada Central 25. Um belo dia, o irmão mais novo, Beto, assumiu os vocais como uma ajuda já que o vocalista da época não pôde ir. Contudo, a formação atual da banda teria que esperar mais alguns anos. Assim, somente quatro anos depois a ideia ressurgiu igual uma fênix nas mentes deles, porém era necessário um baterista para completar tudo. Com isso, o atual vocalista convidou um amigo do colégio, João, para fechar o acordo. E assim, a banda que antes só tinham dois irmãos passou a ter quatro, três de sangue e um que a vida escolheu.

“Tudo é influência”

Eu estava cansado
Busquei me relaxar
Fui às ladeiras de Olinda
Sábado à noite pra cantar

Os versos são da musica “Lara”, feita em 2018, e retratam com afinco a essência e o estilo da banda. “Fica difícil definir um estilo, a gente toca o que a gente vive. As influências musicais são infinitas e vão dos clássicos do rock até ritmos nordestinos. Tudo é influência e hoje não precisamos ir muito distante para achar artistas excepcionais para nos inspirar”, conta o baterista, João Mesquita.

“Creio que o som e o estilo da banda pode ser mutável de acordo com a fase e o momento no qual estamos passando, tanto sonoramente, quanto nas temáticas das letras. Entretanto, sempre vamos manter a nossa pegada rock e suas vertentes como parte essencial do tempero do nosso estilo”, conclui o guitarrista, Rafael.

 “Foi e ainda é um lugar onde encontramos nossos amigos para confraternizar”

Meu coração sente
Que é ai que eu devo estar
Por que ele diz que lá é meu lugar
Suas belezas não da para negar
E quando eu vejo Olinda
Não tenho como não amar

A letra da música “Olinda” diz muito do quanto a Mascates se orgulha de ter sido forjada nos confetes e ladrilhos da cidade alta. A banda conta que a sensação de cantar na sua cidade de origem não poderia ser mais especial.

A sensação é a melhor possível, um dos nossos sonhos era tocar na Praça do Carmo com um público grande e conseguimos ano passado no Festival da Cerveja e Festival da Tapioca. A recepção da galera foi incrível, pois tinha muita gente que foi ver a gente tocar, mas a maioria não nos conhecia e, mesmo assim, todos ficaram animados e foi o maior e um dos melhores shows que fizemos até então.

O grupo independente pode ser considerado patriota da nação Olinda e diz que não é preciso ir muito longe para sentirem que atingiram o auge nas suas carreiras. Beto Menezes, o vocalista, ressalta: “A gente sempre busca criar metas alcançáveis, então, nunca conversamos sobre um auge exato, mas sempre pensamos aonde podemos chegar um passo de cada vez. Então, atualmente, temos um desejo enorme de conseguir tocar no Festival de Inverno de Garanhuns, Carnaval de Olinda e Recife, Guaiamum Treloso, Coquetel Molotov, etc.”

A banda ainda confidencia que seria uma honra dividir o estúdio ou palco com grupos como Banda Eddie, Academia da Berlinda, Nação Zumbi e, sonhando um pouco mais alto, porém ainda no nordeste, Selvagens à Procura de Lei.

“Somos nós que fazemos todos os dias a engrenagem rodar”

Como qualquer boa banda independente nos dias de hoje, a Mascates sente das dificuldades de se tornarem visíveis no âmbito da música profissional. “Somos uma banda totalmente independente, somos nós que fazemos todos os dias a engrenagem rodar. As dificuldades, no geral, giram em torno de oportunidades. A maioria dos nossos shows são iniciativas próprias ou juntamente com outras bandas independentes.”, relata o baterista. “A gente observa sim uma crescente na valorização da música autoral independente e isso é ótimo, embora ainda não o ideal. Valorizar, apoiar todos os músicos que estão nessa labuta de fazer a própria música é o caminho, afinal, são os mesmos músicos que vão fazer parte de um cenário musical consolidado no futuro.”, conclui João Mesquita.

Projetos

A Mascates se encontra com algumas músicas feitas e outras em processo de arranjo, contudo, a atual situação mundial atrasou o cronograma da banda. Mas eles não pararam. “Por enquanto estamos com o projeto “Mascates 40tena Sessions”, no qual, cada um em sua casa, está gravando. Já soltamos duas versões de nossas músicas, respectivamente, “Lara” e “Fracasso”; serão um total de seis vídeos, incluindo versão de “Ciranda de Maluco”, de Otto, e “Frevo Mulher” de Zé Ramalho.”, conta Rafael.

“Desejamos lançar um novo álbum o mais breve possível. Antes disso, alguns singles vão ser lançados. Estamos ansiosos para mostrar ao mundo o que a gente vive, pensa e produz hoje.”, finaliza o baterista, João.

Espero poder ter um reencontro
Em um futuro não tão distante
Para que volte o nosso encanto
E que a gente cante

A banda Mascates pode ser considerada pequena quando comparada a outras, do mainstream, mas sem dúvidas há potencial. Não seria surpresa ela se tornar muito famosa daqui uns anos. Para acompanhar todas as informações sobre os olindenses, siga nas redes sociais @bandamascates e confira as músicas nas plataformas de streaming.

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