Junior Bass groovador. Foto: Reprodução/Sony Music

Cadê teu Groove? – A importância do baixo na música

Um passeio musical pelo universo de um instrumento que, mesmo subestimado, é o responsável pelo destaque do ritmo e da melodia de uma boa música. É aqui que você entenderá o que é o baixo, qual a sua importância, como surgiu, como funciona e quem o toca. Além do mais, batemos um papo com um baixista e um produtor musical sobre o valor desse instrumento. Então, antes de dizer que baixo não faz diferença em musica, fala pra a gente…cadê teu groove?

O grave:

Sabe quando escutamos aquela música dançante, grudenta e bem ritmada? Já parou pra pensar que toda vez bate aquela vontade de bater os pés ou mexer a cabeça? Pois bem, isso não acontece em vão. Desde que somos bebês em desenvolvimento, na barriga de nossas mães, somos condicionados a ouvir apenas sons de baixa frequência, mais graves e marcados. No caso, batimentos cardíacos e estímulos uterinos, que escutamos em torno de 24 semanas de gestação.

É por causa desses sons, vindos de nossas mães, que constantemente nos encontramos presos ao ritmo das coisas, incluindo uma boa música. Por mais que não tenhamos consciência disso, muitas vezes (não são todas), são os graves do baixo que nos contagiam numa música específica.

Para um som ser definido como grave, ele deve estar abaixo dos 300 Hertz (Hz), ou seja, sons de baixa frequência. Na música, esses sons são emitidos por instrumentos responsáveis pelo ritmo, que são o baixo e a bateria. A cozinha da banda. Na musica eletrônica, o grave se dá pela pulsação dos auto-falantes, que fazem a mesma função rítmica.

Imagem: Jaco Pastorious, um dos grandes nomes do baixo. (Reprodução)

O baixo na música:

Chamamos o baixista Pedro “Peter” Ximenes (Vinnie Boom) e o produtor/músico Matheus Araújo (Surt; Kalouv; Semente de Vulcão) para bater um papo sobre o valor desse instrumento, que muitas vezes aparece em segundo plano ao se tratar de música. Muitas vezes nos deparamos com a seguinte afirmação: “Ah, mas música com ou sem baixo não faz diferença alguma“. Poderíamos só fechar a cara e resmungar, dizendo que estão muito errados ou que a afirmação não faz sentido, mas preferimos apenas explicar. ” É comum ouvir pessoas falando que baixo não faz diferença, mas faz, e muita! O baixo existe para guiar o ritmo junto com a bateria, dando um chão pra música. A função do baixo caminha entre o ritmo e a melodia, e é aí que tá a complexidade desse instrumento”, afirma Peter.

O baixo é um instrumento complexo e de extrema responsabilidade para quem o toca. Se o baixista erra o tempo ou dar uma nota errada, toda a composição da música se perde (ou se renova). Mesmo sendo fundamental para a parte rítmica, nada seria do baixo sem a melodia, que, através das notas mais graves, desenha uma linha melódica entre os acordes. “Se colocarmos as pessoas para ouvirem uma música sem o baixo, com certeza elas darão falta. Mesmo que o baixo esteja fazendo o mesmo que a guitarra, se apenas tirarmos o som dele, algo muito importante vai se perder: o grave. É por causa do grave que temos o peso e a marcação”, revela Matheus.

São afirmações como essas que nos fazem entender como o baixo é, de fato, fundamental. No entanto, seu trabalho na música vai além de um instrumento grande, de quatro cordas. O baixo é um elemento, uma entidade musical, visto que pode atuar pelos mais variados canais. Por exemplo, numa orquestra de metais, a marcação é feita pela tuba, que é o baixo dos instrumentos de sopro. Numa bateria de escola de samba, uma fileira de tambores mais graves, os chamados surdos, são os responsáveis pelo tempo da bateria. Ou seja, para tudo se tem um baixo.

O baixo em cada gênero:

Por mais que o baixo cumpra uma função um tanto específica, sempre haverá uma forma de reinventá-lo. No entanto, isso só acontece depois que o baixista passa a entender melhor o seu instrumento. Não só isso, como o estilo musical, que acaba por influenciar na musicalidade. Por exemplo, muitos gêneros musicais não seriam nada sem uma boa linha de baixo complementando o som, no caso: o Funk, Jazz e Música Eletrônica. ” Não consigo imaginar o Jazz e Funk sem um baixo marcante. Além disso, o baixo no Metal faz um papel fundamental ao trazer o peso pro gênero. Imagina o Iron Maiden sem o baixo de Steve Harris? Não existe!”, ressaltou Peter.

Historicamente, sempre foi assim. Por causa da inovação de um músico, vários outros se inspiraram e incorporaram uma gama de outras técnicas em estilos próprios. Da mesma forma que os baixistas de Jazz se utilizam do Walking Bass para fazer a musica (como diz o próprio nome) andar, os punks incorporaram essa mesma técnica para fazer a música correr. Já no Funk, a técnica do Slap foi criada para complementar a bateria reta e dançante do estilo. Um pouco mais tarde, o Slap seria popularizado no rock e no Metal, por nomes como Less Claypool (Primus) e Flea (Red Hot Chili Peppers).

Um caso à parte, é na música eletrônica. Os auto-falantes que fazem o trabalho do baixo nesse gênero musical são muito presentes na sonoridade Techno e House, que são base para a música Pop moderna. Nomes consagrados, como Lady Gaga e (mais atual ainda) Charli XCX, se utilizam dessa modalidade de baixo para compôr hits mais dançantes. Por outro lado, ainda na musica Pop é utilizado o baixo elétrico em sua forma mais orgânica, como Dua Lipa usou em seu mais recente álbum Future Nostalgia.

A partir daí, pode-se notar a versatilidade do baixo em seus estilos. Não só como um instrumento físico, mas no seu próprio som. E a verdade, que para muitos é inconveniente, é que o som do baixo é tão livre e mutável que não há uma forma definitiva de tocá-lo. Essa afirmação se aplica àqueles que se pagam de certos e criam padrões na forma de tocar, tipo essa gente que fala que não se toca baixo de palheta. O tocar vai além de regras e técnicas, afinal deve se pensar na arte, antes de tudo. ” Se pensa muito tecnicamente e pouco artisticamente, sabe? Os músicos, agora, só pensam em definir o que é certo e errado.”, observa Matheus.

Imagem: Paul Mccartney, baixista dos Beatles. (Reprodução)

Mas afinal, o que é groove?

Mas enfim, se já chegamos até aqui, provavelmente você já entendeu porque o baixo é tão importante. Certamente, colocar um baixista numa banda, ou não, é uma escolha. O conceito de baixo vai de cada musico, de cada grupo que queira definir um som próprio, afinal devemos entender o baixo como algo além do instrumento. Como já dito antes, o baixo é uma entidade, e que está presente em toda música que seja minimamente bem tocada. Limitar o baixo a um instrumento grande, de quatro cordas, é colaborar para a indiferença que muitos tem sobre sua função musical.

Só que ainda falta entender uma coisa…o que diabos é Groove? Pois bem, não há como definir em palavras. Nem estes que vos falam agora conseguiram pensar em um significado exato. Quando perguntados, nossos entrevistados também não conseguiram, mas todos chegaram a uma conclusão bem específica. Groove é algo que se sente, muito antes de pensar. Essa palavra pode ser traduzida no bater dos nossos pés, no instalar dos nossos dedos e até na forma como dançamos. No final das contas, o que nos proporciona o Groove é o ritmo de uma musica, através do seu elemento mais importante: o baixo.

Por Johnny de Sousa e Renan Franza

E SE VOCÊ LEU ATÉ AQUI…

Nós e os convidados preparamos uma playlist para aqueles que desejam apreciar um bom baixo:

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